quarta-feira, 3 de março de 2010

Sismo do Chile alterou eixo de rotação da Terra e encurtou duração do dia

O terramoto de 8.8 na escala de Richter que atingiu o Chile no sábado - o sétimo maior terramoto de que há registo - terá encurtado os dias terrestres em 1,26 milionésimos de segundo, segundo o cientista Richard Gross do Jet Propulsion Laboratory (laboratório de propulsão a jacto) da NASA em Pasadena, na Califórnia.


Mas, para os oficiais da NASA, mais impressionante é o facto de "o quanto o terramoto alterou o eixo da Terra". Um eixo de rotação é uma linha, que pode ou não ser imaginária, em volta da qual se realiza o movimento de um corpo. Assim sendo, o eixo da terra é a linha em torno da qual a Terra roda sobre si própria.

O modelo informático utilizado por Gross e os seus colegas para averiguar os efeitos do terramoto no Chile detectou que esse mesmo sismo deverá ter movido o eixo da Terra em 3 polegadas (cerca de 8 cms). Na realidade, estas mudanças são muito pequenas para serem identificadas sem recurso a meios informáticos, razão pela qual os cientistas dizem que "deverá" ter movido o eixo da Terra.

Localização do Chile potenciou efeito

Este não foi o primeiro terramoto registado a ter este tipo de efeitos. O terramoto de 9,1 em Sumatra (datado de 2004) é um dos casos mais emblemáticos, tendo encurtado os dias em 6,8 milionésimos de segundo e movido o eixo terrestre 2,76 polegadas (cerca de 7 centímetros).


Apesar de o sismo do Chile ser menor na escala de Richter do que o de Sumatra, teve maiores efeitos no eixo terrestre devido à sua localização. A falha geológica responsável pelo sismo do Chile mergulha na Terra num ângulo mais agudo do que a responsável pelo terramoto de Sumatra e, segundo Richard Gross, "isto faz com que a falha do Chile seja mais eficaz a mover a massa da Terra verticalmente e seja, como tal, mais eficaz a desviar o eixo da Terra".

in Expresso 03/03/2010

segunda-feira, 1 de março de 2010

Mulheres estão mais vulneráveis à pobreza

Estudos revelam uma clara desvantagem em relação à população total


A taxa de pobreza para as mulheres portuguesas com 65 anos ou mais é de 24%. Nos homens, 19%. Para as famílias monoparentais - e 90% são encabeçadas por mulheres - é de 39%. A pobreza no feminino é preocupante e é o tema de Março neste ano Europeu.


Duas em cada quatro mulheres que encabeçam famílias monoparentais são pobres; enquanto que apenas um, em cada quatro homens, que encabeça esta tipo de família o é. "Um estudo longitudinal mostrará que a trajectória da pobreza no feminino sugere que as mulheres estão em clara desvantagem em relação à população total", afirma a economista Amélia Bastos.

Para agravar, a pobreza revela-se mais persistente precisamente entre as mulheres. Para dar outro exemplo, para as mulheres idosas e isoladas a taxa de saída da situação de pobreza é de 60% abaixo da taxa referente à população total; e a sua taxa de entrada mais do que duplica em relação também à população total. Que factores concorrem, afinal, para esta desigualdade de género? E por que é que isto ainda se verifica tanto até nas gerações mais novas?



"As mulheres têm, por exemplo, mais dificuldades de acesso ao mercado de trabalho. Uma mulher que tenha filhos pequenos ou que esteja grávida arranjará emprego com muita dificuldade. Está ainda muito mais sujeita ao trabalho precário, ao trabalho parcial que não é bem remunerado, a sérias dificuldades de progressão na carreira", avança Amélia Bastos.



Na base está uma mentalidade difícil de contornar. Ou seja, não é possível falar de pobreza no feminino sem perceber que as possibilidades de entrada no mercado de trabalho são muito determinadas pelos modelos de vida familiar. "Se à mulher cabe a grande parte das tarefas domésticas e do trabalho de cuidar, não será fácil a total disponibilidade laboral que tanto se exige. Ela vai ficando de fora", explica Heloísa Perista, do Centro de Estudos de Intervenção Social (Cesis).



Até há trinta anos, a mulher ficava em casa a tomar conta dos filhos. Estas são as senhoras que hoje, já idosas, dependem da pensão do marido e vivem com muito mais risco de pobreza. Entretanto, conquistou um lugar fora de portas, mas a mentalidade dominante continua a colocá-la sob responsabilidade primeira de tratar dos filhos e da casa, entendendo que o seu trabalho fora não tem que ser tão valorizado como o dos homens. Os factos são incontornáveis: as mulheres têm salários mais baixos do que os homens a desempenharem exactamente as mesmas tarefas.

LEONOR PAIVA WATSON in JN 01/03/2010

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Fome chega a cem famílias no Vale da Amoreira

Carla e João preparavam ontem à pressa o almoço ao som do kizomba que vinha da casa da vizinha, mas que bastava para animar o humilde T1, onde o casal vive com três filhos. Na sertã o chefe de família mexe três ovos a que junta uma lata de salsichas. Na mesa já está um pacote de batatas fritas e os três pequenos de garfo em riste. É o almoço para os cinco lá de casa. "Temos de comer à medida do possível para dar também para o jantar", explicava João.

 Este agregado de ascendência cabo-verdiana está entre as mais de cem famílias identificadas como casos de pobreza extrema a residirem no problemático Vale da Amoreira (Moita), que além de não terem dinheiro para comer, também deixaram de pagar as prestações das suas casas. A freguesia é habitada por cerca de 16 mil pessoas, sendo que a taxa de desemprego já ascende aos 55%, consequência directa do encerramento de algumas unidades fabris no sector metalúrgico e componentes auto no distrito de Setúbal.
Já quanto aos jovens à procura do primeiro emprego que não encontram saídas profissionais, o número de desocupados ascende aos 60%, o que ajudará a explicar a elevada propensão para enveredarem no mundo do crime.
Tanto Carla como João já se encontram desempregados há tempo suficiente para terem perdido a vergonha de assumirem que estão a passar "grandes dificuldades". Até ao ano passado ainda foram escondendo o possível, mas acabaram a pedir ajuda quando deixaram de ter leite para dar aos filhos, confessa a mãe das crianças, uma antiga empregada de balcão que há mais de dois anos perdeu o emprego, quando a loja onde trabalhava fechou, garantindo que apesar dos tenros 34 anos já perdeu a esperança de dar um novo rumo à vida...

in JN 21/02/2009

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Mesmo quem trabalha não escapa à pobreza


Estatística dita que 12% da população trabalhadora, em Portugal, é pobre

A pobreza em Portugal deixou de ser vista como natural, na última década. É mais incómoda e aparenta ser um alvo a abater. Ainda assim, a realidade nua e crua dita que 12% da população que trabalha é pobre e que não basta trabalhar para escapar a ao flagelo.

"Aquela ideia de sermos pobrezinhos, mas honestos, e de aceitarmos a pobreza como uma fatalidade está a acabar. Isto representa um grande salto cultural e só com ele podemos avançar", afirma o sociólogo e professor universitário Luís Fernandes.

Avançar para medidas que travem um flagelo que é extensivo também àqueles que trabalham. Em Portugal, 18% da população enfrenta uma situação de pobreza e 12% dos trabalhadores também, ou seja, o trabalho deixou de ser receita eficaz contra a pobreza. Onde está a grande variável discriminatória? "Está na precariedade e na desregulação do trabalho. Não há contratos ou há contratos ao dia, aos cinco dias, ao mês", explicou Luís Fernandes.

No mesmo patamar, assistimos a uma mundialização do mercado que "fez entrar em competição directa economias que antes não competiam entre si. Regressaram os regimes de 12 horas laborais por dia, pelo salário mínimo", acrescentou o sociólogo. Um salário mínimo que não significa recurso para participar nos hábitos e costumes de uma sociedade que, paradoxalmente, é cada vez mais exigente.

E, ainda assim, com a desregulação do trabalho, com a sua precarização e com os salários baixos, não ficamos mais competitivos. Esta não é, portanto, a receita para um país mais produtivo e competitivo. "A pedra de toque está na qualificação, na educação. Só assim poderemos produzir, competir e crescer", disse.

Um outro factor, ainda, tem que entrar nesta equação: a distribuição da riqueza. "Nós temos um grave problema da distribuição da riqueza. São cinco milhões de população activa a produzir riqueza e como é feita essa distribuição?", questionou. Basicamente, o que isto quer dizer é que, entre outras coisas, a política dos salários baixos tem que acabar. Já assim o disse, por diversas vezes, Alfredo Bruto da Costa, ex-presidente do Conselho Económico e Social.

São necessárias medidas sociais e medidas económicas, mas, sobretudo, que todas elas sejam estruturais e não pontuais. "A pedra de toque está na Educação, na qualificação", insistiu.

LEONOR PAIVA WATSON in JN 08/02/2010

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Cinema- Ruas da amargura- de Rui Simões

As Ruas da Amargura são povoadas por homens e mulheres, de todas as idades, com carências afectivas, financeiras, problemas mentais, alcoolismo, toxicodependência, ou simplesmente pessoas que chegaram a Portugal à procura de uma vida um pouco melhor.

Do outro lado das Ruas há um formigueiro de voluntários, assistentes sociais e técnicos diversos que constroem e mantêm estruturas de apoio, uns pensando em dias melhores, outros institucionalizando a ajuda sem acreditar que o fenómeno possa ter cura.

A NÃO PERDER NO PRÒXIMO DIA 10 de Fevereiro no ACERT em Tondela.




"A Naifa volta a afiar o panorama musical português com mais uma obra subversiva sobre a estética do Fado."
Sara Louraço Vidal – Portal do Fado


“Tanto literária como musicalmente, tudo se joga aqui no plano das citações, das sobreposições e dos contrapontos, mas este lúdico jogo de referências cruzadas e tonalidades contrastantes revela-se fluido e convincente. Extremamente criativos, João Aguardela e Luis Varatojo demonstram, novamente, ter mais ideias por canção do que outros em albums inteiros e conseguem criar um universo musical que só a eles pertence”
Jorge Lima Alves - Expresso